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Cresce demanda por imóveis em condomínios fechados distantes da zona urbana.

Clientes procuram moradias cercadas de beleza natural em áreas mais tranquilas, fora da região metropolitana.

Júnia Leticia - Estado de Minas
Publicação: 26/03/2012 10:00 Atualização: 26/03/2012 10:38

A aposentada Walesca Schumann mudou-se para um condomínio em Nova Lima para aproveitar mais a natureza.
A busca pela qualidade de vida tem feito com que algumas pessoas invistam em condomínios próximos a verdadeiros paraísos da natureza.

Esses empreendimentos se caracterizam pela tranquilidade e contato com a natureza, o que, inclusive, favorece a prática de esportes, tão em voga, por proporcionar vida mais saudável. Alguns contam até mesmo com infraestrutura completa e opções de compras. Para preservar o cenário, os projetos são baseados em práticas sustentáveis.


Para o empreendedor José Humberto Vieira, da JH Empreendimentos – responsável pelo Condomínio Fazenda do Engenho, na Serra do Cipó –, um dos fatores que impulsionou a procura foi a redução no tamanho dos apartamentos para aumentar o número de unidades e, assim, tornar viável o resultado financeiro do empreendimento. “A crescente demanda por moradia nas grandes cidades levou as empresas da área da construção civil a pagar mais caro pela mão de obra, material para a construção e pelo metro quadrado dos lotes e áreas para a edificação de condomínios verticais”, justifica.
Com isso, não sobram espaços que favoreçam o lazer ao ar livre, a privacidade e o conforto. “Despertando uma necessidade natural do ser humano de resgatar esses importantes valores para a qualidade de vida. Isso faz com que as pessoas busquem uma segunda opção de moradia fora dos grandes centros”, diz José Humberto.

Gerente de empreendimentos imobiliários do Parques do Vale, em Caratinga, Região do Vale do Rio Doce, João Olyntho Ferraz Neto acredita que o consumidor passa a dar valor a empreendimentos que enfocam a qualidade de vida no momento em que se depara com as facilidades de usufruir de um lugar no qual ele tenha segurança e convívio intenso com o meio ambiente. “Ele percebe que o empreendimento faz parte de um conjunto bem planejado do ponto de vista urbano, com a organização da ocupação do espaço, por exemplo.” A busca pela qualidade de vida aliada à beleza do local fizeram com que o empresário Frederico Alves Magalhães optasse pelo Parques do Vale. Casado e com dois filhos – de 7 e 4 anos –, ele ressalta a busca por um local para criar os filhos com mais espaço e perto da natureza. “Podemos aliar isso tudo à sustentabilidade e à segurança”, pondera.


ACESSO

Apesar de agora o tamanho dos empreendimentos fazer com que muitos optem por ter uma segunda moradia fora da capital, esse conceito não é novo, como verifica o responsável pela comercialização do Condomínio Quintas do Morro e diretor-presidente da Renan Peixoto Consultoria Imobiliária, Renan Peixoto. “Alguns condomínios antigos, como o Morro do Chapéu, já têm esse conceito há algum tempo e fazem muito sucesso.”  O empreendedor José Humberto Vieira diz que hoje há muitas ofertas de condomínios horizontais com opções de lazer, tranquilidade e natureza preservada
Outro condomínio que iniciou o conceito de morar bem próximo à natureza é o Vila da Serra, em Nova Lima. E foi em busca da qualidade de vida e da segurança proporcionadas por um condomínio fechado que a aposentada Walesca Santos Souza Schumann se mudou para lá. “Aqui, vivo em contato com a natureza e a vida animal: micos, esquilos, gaviões, corujas e várias espécies de aves”, diz. A proximidade com Belo Horizonte e a facilidade de acesso são alguns dos aspectos positivos apontados pela aposentada. Além disso, o fato de contar com toda a infraestrutura de que precisa, pessoal qualificado em termos de segurança e manutenção completam as vantagens de morar no local. “Temos um ótimo convívio com a vizinhança, alguns como se fosse uma grande família. As crianças podem brincar livremente nas ruas e parquinhos, os adultos podem fazer suas caminhadas tranquilos, sem nenhum estresse. Morar em um condomínio é como morar em um paraíso.”


ALTERNATIVA DE MORADIA
Além de busca por mais segurança, fortalecimento da economia e crescimento da renda impulsionam mercado de condomínios fechados.

O movimento em busca dos condomínios fechados é relativamente recente. Apesar de não se poder precisar uma data, essa procura tornou-se mais expressiva no fim da década de 1990, conforme lembra o vice-presidente da área das loteadoras da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Jader Nassif.
De acordo com ele, foi nessa época que o conceito do loteamento fechado passou a ser tendência, impulsionado pela necessidade de segurança domiciliar e pelo aumento do poder aquisitivo da população. “Juntos, esses fatores levaram as pessoas a buscarem qualidade de vida”, contextualiza.
Mas, por parte das construtoras, o investimento nesse tipo de empreendimento surgiu na década de 1970, com alguns lançamentos no interior de São Paulo e em Minas Gerais, em cidades como Lagoa Santa e Nova Lima, na Região Metropolitana deBelo Horizonte. “No entanto, o interesse maior só veio quando a demanda do mercado cresceu, o que ocorreu com o aumento da massa salarial da população.”
Em relação aos consumidores, um conjunto de fatores fez com que houvesse o interesse em investir nesse segmento do mercado imobiliário. “O que leva as pessoas a buscar empreendimentos desse tipo é a possibilidade de morar com segurança em um imóvel com conceito de casa, tranquilo e com qualidade de vida, baseados em uma qualidade de moradia”, reconhece Jader.
Também o fortalecimento da economia, que gera o crescimento da renda, aumentando o poder de compra do brasileiro, foi apontado pelo empreendedor José Humberto Vieira. “Atenta a esses fatores e ao desejo daqueles que vivem nas grandes metrópoles de adquirir a casa de campo, empresas de incorporação imobiliária e loteadoras investem em condomínios horizontais nas proximidades que ofereçam tranquilidade, lazer e natureza preservada.”
Para o gerente de empreendimentos imobiliários do Parques do Vale, em Caratinga, na Região do Vale do Rio Doce, João Olyntho Ferraz Neto, a percepção das dificuldades diárias a serem enfrentadas nos grandes aglomerados urbanos impulsionou o investimento em condomínios com essas características. “Estamos falando de trânsito intenso, falta de segurança, ocupação de terrenos sem a devida preocupação com a contenção de encostas... Tudo isso contribui para criar essa demanda, que começa a ser suprida pelos empreendedores.”

Na busca pela qualidade de vida, muitos não encaram essa como uma opção de fim de semana e, sim, de moradia fixa, alternativa ainda viável em Belo Horizonte, como observa Renan Peixoto, responsável pela comercialização do Condomínio Quintas do Morro. “Uma grande vantagem dos condomínios de BH é a distância do Centro da cidade. Em São Paulo ou no Rio de Janeiro, essas distâncias são enormes e o estresse para chegar em casa é muito grande, levando muito tempo no trânsito e no caminho em si.”
Essa opção é a ideal para quem busca interagir com a natureza, praticar exercícios físicos ou hobbies ao ar livre, ter uma opção de lazer para usufruir com a família e amigos nos momentos de folga. “Também para quem busca um bom investimento imobiliário. No caso do investidor, o ideal é comprar antes da conclusão das obras de infraestrutura do empreendimento, além de levar em consideração a localização do loteamento”, recomenda Renan Peixoto.

 

VIABILIDADE

Para certificar-se de que o empreendimento atende suas necessidades e desejos, José Humberto diz que é importante analisar alguns fatores, como vias de acesso para chegar ao local, estrutura comercial próxima, documentação legal (aprovação junto à prefeitura, licenças ambientais e registro do loteamento no cartório de registro de imóveis da cidade), infraestrutura interna e externa, normas do condomínio e regras para a edificação do seu imóvel”, enumera.
Para Jader Nassif, o primeiro ponto a ser considerado antes de investir em um empreendimento é a empresa que vai adquirir o imóvel.  “Nesse quesito, é importante verificar os antecedentes e outros empreendimentos em operação pela empresa. Além disso, é recomendado visitar o local e ter acesso à planta do loteamento, para saber o que vai ser construído na vizinhança.”
É muito importante, ainda, que os empreendimentos desse tipo tenham licenças ambientais, como ressalta Jader. “A questão da sustentabilidade vai ser toda analisada e executada dentro dos parâmetros definidos por esse licenciamento. Pode-se dizer, também, que dois índices de sustentabilidade essenciais em um empreendimento são esgotamento sanitário e drenagem pluvial”,  aponta.